DaLua expõe ‘traição’ de Clécio com Alliny Serrão e escancara racha na base governista
Prefeito interino de Macapá anuncia apoio a Acácio Favacho, confirma presença na convenção do MDB e evidencia o isolamento político da candidata do União Brasil dentro da própria base governista.
A declaração do prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União Brasil), nesta quinta-feira (30), pode ter colocado por terra o discurso de unidade da base do governador Clécio Luís na disputa pelo Senado. Ao anunciar que apoiará o emedebista Acácio Favacho para a segunda vaga ao Senado, e não Alliny Serrão, candidata do seu próprio partido e apresentada como nome do grupo governista, DaLua evidenciou o que muitos nos bastidores já apontavam: Alliny parece ter sido abandonada pelos próprios aliados.
Em entrevista ao jornalista Eduardo Neves, Pedro DaLua afirmou que recebeu de seu “líder”, o senador Davi Alcolumbre, orientação para apoiar Randolfe Rodrigues como primeira opção ao Senado e Clécio Luís para o Governo. Para a segunda vaga, no entanto, declarou que estará com Acácio Favacho.
Mais do que isso, confirmou que participará da convenção do MDB que oficializará a candidatura de Acácio, reforçando publicamente um apoio a um candidato de outro partido.
A fala tem peso político porque DaLua é filiado ao União Brasil, mesma legenda de Alliny Serrão. Mais do que isso, ocupa hoje o comando da Prefeitura de Macapá e integra o núcleo político que sustenta a candidatura à reeleição de Clécio Luís.
Na prática, a declaração expõe um cenário desconfortável para a candidata. Embora tenha sido anunciada como representante da base governista na disputa pelo Senado, ela não consegue reunir sequer o apoio público de lideranças estratégicas do próprio grupo.
O episódio reforça a percepção de que a prioridade da articulação política governista está concentrada em Randolfe Rodrigues e que a segunda vaga ao Senado passou a ser disputada sem um compromisso efetivo da base com Alliny Serrão.
A situação ganha contornos ainda mais simbólicos quando se observa que o Amapá nunca elegeu uma mulher para o Senado da República. Em vez de fortalecer uma candidatura feminina histórica, parte das principais lideranças do grupo político parece caminhar em outra direção.
Na política, discursos têm importância. Mas são os gestos que revelam as prioridades. E, neste caso, foi justamente um aliado do governador quem tornou pública a mensagem mais clara até agora sobre o espaço que Alliny Serrão ocupa dentro da própria base.
Ilustração gerada com Inteligência Artificial