As expectativas começam a se confirmar: Petrobras faz primeira descoberta na costa do Amapá
As expectativas começam a se confirmar. A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, em águas profundas da costa do Amapá. É a primeira descoberta anunciada pela companhia nessa área e um resultado que reforça aquilo que há anos movimenta discussões, estudos e expectativas em torno da Margem Equatorial.
Ainda é cedo para falar em produção comercial de petróleo. A descoberta precisa ser estudada, dimensionada e avaliada. Mas o resultado divulgado nesta sexta-feira (14) muda o patamar da discussão.
Agora existe uma descoberta.
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e em uma lâmina d’água de 2.886 metros. Segundo a Petrobras, a presença de hidrocarbonetos foi constatada por meio de perfis elétricos e indicativos encontrados nas rochas. A perfuração continua justamente para que a companhia consiga conhecer melhor o que existe naquela formação.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, não escondeu a importância do resultado. Segundo ela, o otimismo da estatal em relação à Margem Equatorial brasileira começa a se confirmar. A executiva classificou o resultado como a “primeira descoberta na costa do Amapá”.
E é justamente a partir daqui que começa uma discussão ainda maior para nós, amapaenses.
O Amapá precisa estar preparado
Mais importante do que descobrir o que existe no fundo do oceano será saber o que o Amapá fará caso todo esse potencial se confirme.
Porque uma oportunidade dessa dimensão pode transformar uma economia. Mas também pode passar por ela sem deixar as transformações esperadas, restando apenas um gosto amargo de frustração.
O estado precisa se preparar agora.
Isso significa qualificar mão de obra, fortalecer empresas locais, preparar fornecedores, investir em infraestrutura e logística, aproximar universidades e centros de pesquisa dessa nova realidade e criar condições para que os investimentos relacionados à cadeia de óleo e gás encontrem no próprio Amapá trabalhadores e empresas preparados.
O grande desafio será evitar que sejamos apenas o estado que dá nome à descoberta enquanto empregos, contratos, serviços, tecnologia e renda ficam em outros lugares.
Se uma nova indústria estiver realmente surgindo diante da nossa costa, precisamos participar dela.
A riqueza precisa alcançar todo o estado
Macapá e Santana naturalmente tendem a concentrar boa parte das primeiras oportunidades, principalmente por reunirem infraestrutura, empresas, serviços e capacidade logística.
Mas pensar grande significa olhar além.
Uma eventual consolidação da indústria de óleo e gás pode produzir efeitos sobre comércio, construção civil, transporte, hotelaria, alimentação, tecnologia, formação profissional, pesquisa, indústria e uma enorme cadeia de prestação de serviços.
E os resultados precisam alcançar os 16 municípios.
É aí que entra uma palavra fundamental: gestão.
O momento exige planejamento para que uma eventual nova riqueza seja utilizada também para diversificar a economia amapaense. Petróleo e gás não podem substituir nossas outras potencialidades. Ao contrário: os recursos e investimentos gerados por essa atividade precisam ajudar a desenvolver agricultura, turismo, bioeconomia, mineração responsável, indústria, ciência, tecnologia e novos negócios.
O Amapá não pode trocar uma dependência econômica por outra.
Encontrar é apenas o começo
Também é preciso manter os pés no chão.
A Petrobras encontrou hidrocarbonetos. Ainda será necessário determinar as características da descoberta, sua dimensão e, principalmente, se existe viabilidade para uma futura produção comercial.
Portanto, não sabemos ainda quanto existe, qual é o potencial econômico da descoberta ou se aquela área chegará efetivamente à fase de produção.
Mas o anúncio desta sexta-feira é, sem dúvida, um marco.
Durante muito tempo discutimos o potencial da Margem Equatorial olhando para projeções, estudos geológicos e experiências de países vizinhos. Agora, pela primeira vez nessa área da costa amapaense, a Petrobras anuncia uma descoberta concreta.
A pergunta, daqui para frente, não deve ser apenas o que existe no fundo do mar.
Precisamos perguntar também que Amapá queremos construir se esse potencial se confirmar.
Porque encontrar uma riqueza natural é uma oportunidade. Transformá-la em emprego, renda, infraestrutura, conhecimento e qualidade de vida para quem vive aqui é desenvolvimento.
E essa segunda parte depende muito mais de nós.



